• Por que tantas estátuas da Madona na França são negras?
• Maria Madalena morreu em uma caverna perto de Marselha?
• O código de "Da Vinci" foi transmitido pelos Ciganos na Provença?
• Ensinamentos proibidos entraram na França durante as    Cruzadas?
• Quem foi "La Donna" dos trovadores?
• O Santo Graal era um cálice, uma pedra ou uma sociedade    secreta?

Junte-se a nós em uma peregrinação espiritual moderna para descobrir o significado interno destes fascinantes mistérios medievais!


Todas as peregrinações são viagens
para dentro do corpo da Grande Mãe.
Ajit Mookerjee

Nossa excursão é projetada para levá-los às impressionantes Madonas de Auvergne, muitas delas misteriosamente negras. Em pequenos e desconhecidos santuários e cavernas desfrutaremos das lendas medievais de Maria Madalena, ainda celebradas na Provença e em Vezelay da Borgonha. Ecos assombrosos de perdidos cultos ao feminino sagrado também sobrevivem nas adoráveis canções dos trovadores a La Donna (ou Senhora) e em contos da busca iniciática pelo Santo Graal. Seriam estes parte de um tipo de corrente subterrânea ou igreja do amor? Existem evidências de uma ordem secreta de devotos chamada Fideli d'amore ou Fiéis do amor - Dante foi um deles.

O que posso dizer de sua beleza?
Na verdade ela foi feita para ser contemplada:
Pois nela podia-se ver a si mesmo como em um espelho.

Chretien de Troyes

Dr. ROGER J. WOOLGER, Ph.D., é estudante vitalício destes mistérios medievais, é formado em religiões comparadas e é perito em psicologia esotérica. Ele será nosso guia através deste território tão rico e antigo. Roger esboçará as várias camadas da antiga história da Provença romana e romanesca, mediante conversas vivazes nos sítios visitados, folclore e música medieval em nosso ônibus, e em apresentações de slides à noite, para enriquecer nossas viagens diárias. Você certamente será tocado pelas ricas, lindas e carismáticas estátuas das Madonas dos séculos XI e XII e inspirado pelas histórias de Maria Madalena. Através dos séculos seu espírito recorda os antigos cultos da Grande Mãe que nutriu as pessoas por milhares de anos até o advento de Jesus e Sua Mãe.

Seus santuários foram construídos em todos lugares, pois todos os lugares são Seus domicílios.
Adele Getty, Deusa

As Madonas negras começaram a proliferar por toda a França a partir dos séculos X e XI. Muitas delas, como a Madona de Le Puy possuem ligações misteriosas com o Oriente, possivelmente através das Cruzadas – acreditava-se que ela fosse uma efígie de Isis. Outras, como as magníficas Madonas Negras entronizadas de Orcival e Clermont, sugerem uma derivação da Grande Mãe em majestade, seu filho divino sentado lembra os mistérios de Osíris, Attis e Adônis, sua autoridade emana a sabedoria de Santa Sophia de Bizâncio. Todas essas deidades eram conhecidas por terem sido celebradas na Provença, originalmente pelos gregos e posteriormente pelos romanos. Porém os celebrantes mais antigos podem ter sido os egípcios, já que eles e os fenícios usaram Marselha como porto.

Já no século XII as antigas catacumbas da antiga Marselha haviam se tornado um venerado santuário de uma Madona Negra Cristã. Há porém pouca dúvida de que ela remete à antiga patrona da cidade grega, a deusa Ártemis. Essas catacumbas também já foram o local dos mistérios de Perséfone, cujo retorno do mundo avernal, com sua tocha de luz, continua sendo celebrado anualmente em fevereiro, na forma de uma Missa Cristã de Velas. Todos os anos, nessa época, são assados pequenos bolos ou navettes para comemorar a chegada da Terra Santa das três Marias, supostamente sendo uma delas Madalena. Seria seu número uma lembrança da Mãe como Deusa Tríplice?

A própria Maria Madalena tem ricas associações legendárias com a Provença, especialmente com Marselha, onde começamos nossa excursão. O conhecimento medieval conta que Maria Madalena, juntamente com Maria Jacobe e Maria Salomé (as mães do dois João dos Evangelhos) desembarcaram de pequeno barco próximo à Marselha Romana com Marta, Lázaro, e sua criada negra Sara. Judeus hostis os haviam expulsado da Terra Santa para o mar em um barco sem leme que, milagrosamente, chegou à Provença.

Conta-se que Madalena converteu muitas pessoas ao Cristianismo em Marselha através de suas pregações apaixonadas. Terá ela orado nas antigas catacumbas próximas ao antigo porto grego? Seria ela mesma objeto de perdidas tradições misteriosas como a de Perséfone? De acordo com lendas mais antigas ela teria se enclausurado em uma caverna santa, no alto do maciço de Sainte-Baume, próximo à cidade. Lá, ela terminou sua vida em oração. A caverna é um local sagrado até hoje, e nós só podemos imaginar a quanto tempo atrás, em épocas de paganismo, era considerada também um lugar de poder. A deusa urso, Ártemis, habitava cavernas na época neolítica.

As relíquias de Maria foram para a basílica de St. Maximin-Ste. Baume (Bálsamo Santo) e foram muito veneradas ao longo da Idade Média - até que em Vezelay na Borgonha a rival Abadia de Sainte Madeleine reivindicou seus restos! O culto a relíquias se prestou a todos os tipos de fraude na Idade Média, já que a população crédula sempre tem fome de "sinais e maravilhas" associadas aos seus amados santos amados.

Negra somam, hermosa de sed: Eu sou preta, mas graciosa…
Canção de Salomão

Sara foi adotada como a Madona Negra dos ciganos no século XV em Les Saintes Maries de la Mer, uma pequena aldeia próxima ao estuário do rio Reno, no passado colonizado por egípcios e fenícios. Parece altamente provável que a lenda de Sara de Les Saintes Maries de la Mer seja anterior ao Cristianismo, já que também foram encontradas na cidade ruínas de templos para Ártemis, Cybele, Isis e Matres, a Deusa Tríplice Celta.

Havia muitas estátuas negras dessas antigas deusas pelas cidades (veja no link "Galeria das Deusas") e encontra-se ruínas de seus cultos por toda a França. Em tempos romanos a padroeira de Marsala (Marselha) conforme observamos, era Ártemis. Sua forma mais antiga, como Cybele, deu a Lyon sua padroeira e seus animais de proteção, que, claro, eram leões. Ambas as deusas são freqüentemente retratadas como negras, como o é Isis, cuja imagem acredita-se ser a origem da famosa Madona Negra de Meymac, conhecida como "a egípcia".

Um escritor especula que Sara era originalmente a deusa Saraswati, levada pelos ciganos da Índia, porém é muito mais provável que ela seja a deusa Kali Sara, a quem os Roma ou "ciganos" adoram até hoje, como lembrança de que sua origem é da Índia. Investigadores atuais determinaram que Sara Kali também é adorada pelos Roma não apenas na França, mas também em outras partes da Europa; veja Ronald Lee:
http://home.cogeco.ca/~kopachi/articles/romanigoddess.html

Contudo, grande parte da história sobre Sara parece ser propaganda Cristã posterior, já que a Provença só se tornou Cristã muitos séculos após a alegada chegada das Marias. Mas quando quatro esqueletos decapitados foram escavados debaixo de uma igreja no século XV, a história recebeu um incentivo especial, pois o Bom Rei René instituiu um culto a Sara, a egípcia, a quem ele via como descendendo de Isis. Ele também incluiu as três Marias nesse culto, embora posteriormente a Igreja tenha reduzido as Marias a duas, tipicamente removendo a pecadora Madalena.

No princípio, as pessoas rezavam para a Criadora da Vida, a Senhora do céu.
Merlin Stone, "Quando Deus era uma Mulher"

Não há lendas que associem Madalena a Auvergne, que fica no alto do Maciço Central, em território vulcânico. Mas essa região ostenta a maior concentração de Madonas Negras e Madonas em Majestade, não apenas na França mas em toda a Europa. Ninguém consegue explicar essa concentração. Havia uma concentração de Deusas Mães Celtas na região? É claro que os Druidas eram muito poderosos nessa região e foram perseguidos pelos romanos em certa época. Não há dúvida de que os cultos de Cybele, Ártemis, Dionísio e Isis se espalharam para o norte, subindo o Vale do Reno até Lyon, e então para as montanhas. As montanhas sempre celebraram poderes sagrados e as fontes de rios no alto emanavam woivre ou energia da "serpente" sagrada para os Celtas; na verdade, o rio Loire nasce próximo a Le Puy. É possível que essa belíssima região tenha sido considerada sagrada, desde tempos extremamente antigos, que deixaram cultos à Deusa de Mãe, a fonte de toda a vida, cultos estes que sobrevivem apenas vagamente na memória folclórica.

Muitos mitos Celtas, e outros, falam de senhoras encantadoras que surgiam de lagos ou moravam em fontes e nascentes de rios. As fontes sempre foram associadas à cura da Mãe Terra como Tella Mater; elas são também consideradas como local de entrada para o Inferno ou o mundo das Sombras ("La belle dame sans merci hath thee em thrall…" escreveu Keats). Em Vaucluse visitamos o magnífico aqüífero de caverna, que é a maior fonte de água na Europa. Seu aspecto impressionante, em uma visita ao redor do ano de 1200, inspirou em Dante sua visão da entrada para o Inferno, descrito no Inferno de Dante.

Em nossa excursão desceremos em cavernas e escalaremos cumes estonteantes, seguindo os grandes movimentos de semear, incubação e renascimento, os padrões instintivos de morte e renovação que sempre foram os ciclos sagrados da Mãe que é a Própria Natureza e toda a Criação.

Espírito é uma terra de cumes altos e brancos...
A Alma está em casa
nos profundos vales sombreados

Décimo quarto Dalai Lama, Cartas.


Venha, venha, quem quer que sejas,
Viajante, adorador, amante de partidas,
Não importa
Nossa caravana é de alegria infinita .

Jalaluddin Rumi